A música é a alma do TikTok e do Kwai. Muitas tendências nascem e morrem baseadas em áudios virais. No entanto, para criadores de conteúdo que desejam profissionalizar suas contas, a música também é o maior campo minado jurídico. O pesadelo do vídeo “mutado” (sem som) ou a notificação de violação de direitos autorais é comum, mas evitável. Entender como funcionam as licenças e o sistema de Content ID é crucial para manter sua conta saudável e monetizável, especialmente se você migrou para uma Conta Corporativa.
A primeira grande distinção é entre “Conta Pessoal” e “Conta Corporativa” (Business). Contas Pessoais têm acesso a uma vasta biblioteca de músicas comerciais (pop, rock, funk, sucessos do rádio) para uso em entretenimento. Já as Contas Corporativas, por serem destinadas a promover negócios e marcas, têm uma biblioteca de música muito mais restrita, chamada de “Biblioteca de Música Comercial” (Commercial Music Library). Isso acontece porque as gravadoras não permitem que você use a música da Beyoncé para vender sua marca de roupas sem pagar royalties milionários. Se você tem uma conta Business e usa um hit pop, seu vídeo provavelmente será silenciado ou removido.
Se você precisa usar músicas famosas em uma conta Business, a estratégia é usar os “Áudios Originais” ou tendências que já foram remixadas por usuários. Muitas vezes, um usuário cria um remix ou uma versão “sped up” (acelerada) de uma música famosa. O algoritmo, às vezes, não detecta isso como a música original protegida. Porém, é um risco. A forma mais segura é utilizar a biblioteca de sons livres de royalties oferecida pela própria plataforma na aba “Sons Comerciais”. Embora menos famosas, essas músicas garantem que seu vídeo nunca ficará mudo.
Para vídeos editados fora do aplicativo (no CapCut, Premiere ou InShot), o cuidado deve ser redobrado. Se você adicionar uma música famosa na edição externa e subir o vídeo, o sistema de detecção automática do TikTok/Kwai vai varrer o áudio no momento do upload. Se der “match” com uma música protegida, o som será removido. A dica de ouro é: edite seu vídeo externamente, mas adicione a música dentro do aplicativo do TikTok ou Kwai na hora de postar. Você pode baixar o volume da música adicionada para 1% (quase inaudível) apenas para que o vídeo seja categorizado com aquele som oficial, evitando o bloqueio.
Existem bibliotecas externas de música “Copyright Free” ou “Royalty Free” que são excelentes para criadores profissionais, como Epidemic Sound, Artlist ou a Biblioteca de Áudio do YouTube. Assinar um desses serviços permite que você use músicas de altíssima qualidade sem medo de strikes. Você baixa a música, edita no seu vídeo e, caso a plataforma reclame, você tem o certificado de licença para provar que tem o direito de uso. Isso é essencial para quem faz vlogs, tutoriais ou vídeos cinematográficos onde a música dita o ritmo da edição.
O conceito de “Uso Justo” (Fair Use) é complexo e não se aplica automaticamente nas redes sociais. Não ache que colocar “créditos ao artista” na legenda te protege. Não protege. O dono da música tem o direito absoluto de decidir onde ela toca. Se o seu vídeo for silenciado, você geralmente tem a opção de “Substituir o Som” dentro da plataforma, o que salva o vídeo mas pode estragar a sincronia labial ou de dança. Em casos raros, você pode contestar (apelar) se tiver certeza de que possui os direitos, mas abusar da apelação pode levar ao banimento da conta.
Os efeitos sonoros (Sound FX) geralmente são mais seguros. Usar sons de transição, risadas ou barulhos de ambiente raramente gera problemas de direitos autorais. O próprio CapCut oferece uma biblioteca vasta desses efeitos que são seguros para uso. Use e abuse deles para dar dinâmica ao vídeo sem depender de músicas famosas que podem derrubar seu conteúdo.
Fique atento às “Músicas em Alta” (Trending Songs). Participar de uma trend musical é ótimo para o alcance, mas verifique se o áudio tem o ícone de “Sons Comerciais” se você for uma empresa. Se você é um criador pessoal (influenciador), pode usar mais livremente, mas saiba que marcas podem ter receio de patrocinar vídeos que usam músicas não licenciadas, pois elas (as marcas) não podem repostar esse conteúdo em seus perfis oficiais sem violar a lei.
Em resumo, a gestão de direitos autorais é sobre gerenciamento de risco. Para contas pessoais, o risco é menor, mas existe. Para contas de negócios, o rigor é total. A aposta mais segura para a longevidade é criar uma identidade sonora com músicas livres de royalties ou usar as ferramentas nativas da plataforma com inteligência. Um vídeo mudo é um vídeo morto; proteja seu trabalho garantindo que o som continue tocando.



























