O universo de Games e Tecnologia (Tech) no TikTok e Kwai é um dos mais vibrantes e competitivos. Diferente de blogs de texto onde as especificações técnicas dominam, no vídeo curto o que manda é a experiência sensorial e a personalidade. Para gamers, a era de postar apenas um clipe de 10 minutos de gameplay silencioso acabou. O público quer ver o “Highlight” (o momento épico ou engraçado) e, principalmente, a sua reação a ele. O formato “Facecam” (seu rosto num canto, o jogo no fundo) é quase obrigatório, pois as pessoas se conectam com a sua emoção ao vencer ou perder, não apenas com o boneco na tela.
Para o nicho de Tecnologia, o “Unboxing” (tirar da caixa) evoluiu para o “ASMR Tech”. O som do plástico sendo rasgado, o clique do teclado mecânico, o barulho da tampa magnética do fone fechando… tudo isso retém a atenção. Vídeos de tecnologia precisam ser visuais. Não adianta ficar parado falando as especificações do novo iPhone. Mostre o zoom da câmera funcionando em tempo real, mostre a velocidade do processador abrindo um jogo pesado. A regra é: “Mostre, não apenas fale”. Use B-rolls (imagens de cobertura) cinematográficos do produto girando ou em ângulos detalhados (macro) para dar um ar premium ao conteúdo.
A narrativa no nicho de Games deve ser rápida. Se você vai postar um clipe de uma jogada incrível (“Play”), comece o vídeo 2 segundos antes da ação acontecer. Não mostre o “loading” ou a caminhada até lá. Use legendas grandes e coloridas para enfatizar gritos ou falas engraçadas dos seus amigos no chat de voz. O humor é um grande pilar desse nicho. “Bugs” e falhas nos jogos costumam viralizar mais do que jogadas perfeitas, porque são engraçados e relacionáveis. Criar personagens ou narrativas dentro do jogo (Roleplay) também é uma tendência fortíssima, como visto no GTA RP.
No setor de Tech, a honestidade brutal é valorizada. O público está cansado de reviews comprados. Se um produto é caro e ruim, diga. A autoridade de um criador de tecnologia vem da sua imparcialidade. Vídeos comparativos (“Samsung vs. iPhone”, “PC vs. Console”) são minas de ouro de engajamento, pois incitam a “guerra de torcidas” nos comentários. Use isso a seu favor. Faça uma pergunta polêmica no final: “Vale a pena pagar R$ 5.000 nisso? Comente sua opinião”. Isso explode o algoritmo.
A iluminação para esses nichos tem uma estética própria: o RGB. Luzes coloridas (roxo, azul, neon) no fundo são quase um uniforme para gamers e techtubers. Isso cria uma identidade visual imediata. No entanto, o produto ou a tela do jogo deve estar sempre bem visível. Se você filma a tela do monitor, aprenda a ajustar o foco e a exposição da câmera do celular para que a imagem não fique estourada (branca demais) ou com linhas passando (flickering).
A monetização aqui é poderosa. O marketing de afiliados reina absoluto. “Qual é esse teclado?”, “Onde compro esse mouse?” são as perguntas mais comuns. Tenha um Linktree na bio com links diretos para cada peça do seu setup. Para gamers, as Lives são a principal fonte de renda. O público gamer é culturalmente acostumado a fazer “Donates” (doações) e enviar presentes para apoiar o streamer. Manter uma regularidade de lives jogando e interagindo com o chat pode ser mais lucrativo do que os vídeos gravados.
Tutoriais rápidos (“Como melhorar o FPS”, “Dica escondida no WhatsApp”) são conteúdos de topo de funil excelentes para atrair seguidores leigos que não são hard users. Nem todo mundo entende de placa de vídeo, mas todo mundo quer que a bateria do celular dure mais. Mescle conteúdo técnico avançado (para nicho) com dicas úteis gerais (para massa) para equilibrar autoridade e crescimento.
A colaboração (Collab) entre gamers é simples: joguem juntos. Gravar uma partida com outro criador e postar a perspectiva de cada um em seus respectivos perfis (marcando o outro) é uma troca de audiência orgânica e divertida. Em Tech, colabs podem envolver “desafios de setup” ou debates sobre lançamentos do mercado.
Por fim, mantenha-se atualizado. Tecnologia e Games mudam toda semana. O jogo do momento hoje (como foi Among Us ou Fall Guys) pode morrer mês que vem. O criador precisa ter a flexibilidade de mudar de jogo ou de foco sem perder a identidade. Sua marca deve ser VOCÊ, não o jogo que você joga. Se você constrói uma comunidade que gosta da sua personalidade, eles assistirão você jogando Pac-Man ou Cyberpunk com o mesmo entusiasmo.



























